DePoloaPolo

Published on October 31st, 2013 | by Ramalho

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De Polo a Polo 05 – Estrada da Morte – Bolivia

Antes de 2006 esta estrada era a única conexão entre La Paz e a região de selvas chamada Yungas e uma mórbida média de 25 carros e 2 bicicletas se precipitavam por suas encostas. Em 2007 uma nova rodovia, de pista simples e mão dupla foi construída, eliminando quase que por completo estas estatísticas.

Contudo, a estrada da morte continua sendo usada por habitantes da região, que ainda preferem se arriscar do que dar a volta pela estrada nova.

De La Paz partimos num grupo de duas vans com aproximadamente 25 ciclistas para o alto da cordilheira, a 4600m. Lá, as margens de um lago formado pelo degelo da neve, o grupo recebe instruções sobre a descida e procedimentos de segurança. Mais de 20 empresas realizam esse tipo de tour. Eu escolhi uma com o sugestivo nome de Overdose Bolivia, cujo escritório fica na rua Sagarnaga no centro de La Paz.

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Ela fornece jaqueta e calças a prova de água e frio, algo que muitas empresas não fazem. Nessa pedalada de 65 km, você pode sair de uma temperatura perto de zero graus e terminar com 35 graus numa selva tropical.  No meio do percurso pode pegar, muita, chuva, vento, um sol lindo, e mais chuva. Tudo muda à medida que descemos.

Na primeira vez que fiz esta descida, perdi uma máquina fotográfica, afogada pela chuva, mesmo guardada dentro de minha jaqueta.

Com um guia na frente e o carro de apoio atrás, o grupo inicia a descida. Os primeiros 20 ou 25 km são pela estrada asfaltada.  Fazemos uma parada para controle de tráfico de drogas depois de uns 10 Km e outra 15km depois para pagarmos uma espécie de pedágio ou licença.

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Embalados pela velocidade que se obtém no asfalto, alguns ciclistas se animam e tentam imprimir o mesmo ritmo quando pegamos a parte de terra. O resultado de tanta empolgação aparece logo com uma das meninas capotando à minha frente.

Uma frenagem mal feita travou a roda dianteira e ela voou por alguns metros. Por sorte, foi o susto e alguns arranhões, mas a viagem dela continuaria no carro de apoio até o final da viagem.

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De 2007 até agora, 18 ciclistas morreram nesse percurso, que apesar de perigoso, não é mais letal do que o excesso de confiança que muitos tem ao entrar em alta velocidade nas curvas da estrada.

Nos 40 Km de serra, a estrada tem uma largura média de 4 a 6 metros, suficiente para um carro ou caminhão. O problema é que ela é mão dupla, e quando veículos em sentido diferente tenham repartir esses metros entre si, a matemática mal feita pode ser fatal.

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Ao longo do caminho uma sucessão de cruzes marcam os locais onde acidentes fatais aconteceram. Em um deles, dezenas de cruzes ladeiam a estrada. Ali, há alguns anos, um ônibus caiu matando 55 pessoas.

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Quando as equipes de resgate baixaram mais de meio quilometro para chegar aos destroços encontraram outros 25 carros que ninguém tinha conhecimento de estarem lá.

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Numa das curvas mais perigosas, uma parada é obrigatória para a “foto oficial” da descida. De lá, o grupo continua a descida mas em grupos menores, com os ases voando à frente, e mais prudentes descendo no seu ritmo de segurança.

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Várias cachoeiras são vistas da estrada, e uma delas em particular, cai sobre a própria estrada. Já na parte tropical da rota, muitos optam por passar por baixo dela e arrefecer o calor que nessa hora já chega perto dos 30 graus.

No final da viagem paramos em uma pequeno agrupamento de casas que foram transformados em bares e restaurantes para receber os sobreviventes. Ali as roupas e bikes da descida são devolvidas e o grupo, a bordo das vans é levado para um almoço numa hospedaria próxima a cidade de Coroico.



 

Alimentados e cansados, o grupo embarca de volta para La Paz, já são mais de 17 horas e pelo menos duas horas de estrada nos espera.  A estrada nova, apesar de asfaltada, tem inúmeros trechos em obras, boa parte do asfalto em más condições o que torna a volta ainda mais demorada. O importante é que estou aqui para contar essa aventura, e certamente voltar lá algum dia, mas antes disso, nossa viagem De Polo a Polo, tem que continuar para o altiplano boliviano.

Até lá.


About the Author

José Antonio Ramalho, escreveu 120 livros sobre tecnologia, fotografia, mitologia grega para crianças e viagens. Foi co-apresentador da 4 temporada do programa 50x1 da Rede Record. Seus livros já foram traduzidos para diversos idiomas.



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